Blog literário criado em 29/08/2008, na cidade de Blumenau-SC.


06/07/2009

Discutindo Relação



Desde os tempos de Adão
Que o homem sofre de solidão
De ajuda veio a Eva, um partidão.
A que se entregou não ao Adão,
Mas à maçã, o fruto da perdição

Audaciosa veio a perder o paraíso
Só ela não foi, levou Adão, o indeciso
Expulsos, cobriram o que era preciso
Em par trilharam caminhos imprecisos
Adão desde então não tem mais juízo

Por culpa de Eva, Adão se envolveu
Desde o paraíso não se sabe o que sucedeu
Eva jura que foi tentada pelo bicho que apareceu
Adão diz que só comeu o que Eva ofereceu
Por causa deles a humanidade se perdeu

Solidão o homem não comporta
Precisa de uma mulher, mesmo que por via torta
Só a mulher vive bem, não se importa
A companhia de um homem, até que suporta
Relação que requer o cuidado de uma horta

Se entrar erva daninha a coisa complica
Quando Adão olha pro lado a Eva implica
Grita, chora, faz de tudo, em nada simplifica
Adão, de joelhos o perdão suplica
Eva, satisfeita, finge que abdica

Desta relação, nada simplista, surgiu o amor
Adão ama, ao seu modo, com muito fervor
Eva, também, só que o seu é manipulador
Quando não se entendem gera muita dor
Transformando o coração em órgão sofredor

Desde outrora, esta é a história, de Eva e Adão
Que sempre se repete, mas, contar é preciso
Principalmente aquela, que nunca se esclareceu
Quando e onde a esperança se personifica
E, para transformar tragédia em um lindo caso de amor
Só deixando por conta de um poeta sonhador


Paulo Roberto Bornhofen

30/06/2009

Justiça

29/06/2009

MULHER

Muitos, por ela choraram
Outros, por ela imploraram
Poucos, por ela negaram
Todos, por ela imaginaram
Guerreiros, por ela lutaram
Pacifistas, por ela reivindicaram
Filósofos, por ela suspiraram
Ateus, por ela negaram
Crentes, por ela rezaram
Cientistas, por ela estudaram
Políticos, por ela tramaram
Homens, por ela apenas foram HOMENS

Paulo Roberto Bornhofen
13/02/2009

Desencontros de felicidade

Pedra rolando solitária
Cama cheia de metade
Sofrimento!

Triste aroma de paixão
Relógio sem corda
Torneira bradando soluços
Terror!

Porta que grita
Pés se arrastando
Fêmea exaurida
Amor esgotado
Felicidade!

Paulo Roberto Bornhofen
20/06/2009

Confissão

Sofro para entender!
sem saber (poesia)?
Sossego
A resposta não está
no poeta
Palavra
“No inicio havia a palavra
e a palavra foi aceita”.
Eureca, (se) fez o poeta.

Paulo Roberto Bornhofen
20/06/2009

Acordes poéticos


No mundo das letras a poesia é um espaço em que não transito muito bem. Posso dizer que estou aprendendo a dar os primeiros passos. Neste exercício, de aprendizado, estou seguindo a regra fundamental que diz que para escrever é preciso ler, ler bastante. Por isso, foi com alegria que recebi o livro Acordes Poéticos: cartas, poemas e canções, da minha amiga Fabiana Lange. O livro carrega uma característica interessante, a produção da Fabiana é entremeada pelos comentários de seu companheiro, o também poeta, Ricardo Brandes.

A obra da Fabiana tem uma característica bem interessante, é a forma como os textos poéticos estão organizados, é uma sequência que não chega a ser totalmente linear, mas permite ao leitor acompanhar um crescente de emoções, como em uma sinfonia, fazendo jus ao nome. No livro é possível captar a alma sensível de uma jovem, mas não inexperiente poeta que se permite ser explicita na pureza das emoções.

Alguns temas são recorrentes em sua construção poética, entre eles a paz, a amizade, a angustia, a solidão, que na seqüência é confrontada com a vida familiar, explicita no amor a afilhada. Alias, o amor, a paixão, o desejo, o amor carnal, a entrega são retratados cada um dentro de sua peculiaridade. Esta temática, sim, pode-se dizer que segue um crescente linear que começa com a paixão, evoluindo para o desejo, que logo se mostra vencedor quando o poema “Indefesa” se apresenta como uma oração de confissão da entrega ao amado, o desejado. Momento em que a mulher aflora em toda a sua complexidade.

Ler Acordes Poéticos é acompanhar o amadurecimento da menina-moça que se transforma em mulher. Mulher forte que se apresenta em várias modalidades, a mulher feminina, a mulher (que vai ser) mãe, a mulher, simplesmente em oposição ao masculino, que não pode ser mãe, mulher poeta.

Como em uma produção musical, Acordes Poéticos, tem sua apoteose, que para mim está representada em dois poemas, não por acaso os dois últimos, Vida de Casal e Você, que para saber só lendo.

Paulo Roberto Bornhofen

26/06/2009

Morreu



Ao chegar em casa, por volta das 23:00hs, fui dar aquela zapeada costumeira pelos canais de TV. A notícia era uma só: a morte do Michael Jackson, até nos canais de esporte. Só ficaram de fora os famosos programas de venda, os demais só apresentavam isso.

Como sempre ocorre quando morre alguma celebridade, desta vez não foi diferente. Eram só comentários enaltecendo a figura, a pessoa maravilhosa e outras qualidades do finado. Não quero entrar no mérito do que os comentaristas falavam, até porque não conheço o Michael Jackson. Não este que morreu ontem.

O Michael Jackson que eu conheci morreu faz muito tempo. Era um jovem, negro, cantor, dançarino, coreografo e muitas outras coisas. Cantava, vendia discos como ninguém. Esse morreu faz tempos. Deu lugar a outro Michael Jackson. O de pele esbranquiçada, envolto em escândalos, que vivia recluso, que não cantava e não dançava.

O primeiro foi morrendo aos poucos, ao longo dos anos. O outro morreu de forma súbita, envolto em mistérios. Acho que é em razão disso a diferença que o impacto de ambas as mortes causou.

Em meio à multidão de fãs que eram entrevistados e junto aos outros milhões que se manifestaram pela internet, uma corrente começou a tomar corpo. Entre as teorias surgiu uma que dava conta de que Michael Jackson na verdade não havia morrido.

Faz sentido. Eu creio que ele realmente se retirou para uma vida mais tranqüila, equilibrada. Foi viver ao lado do ex-sogro, o Rei do Rock, Elvis Presley. Agora eu concordo. Sim, por que Elvis não morreu. Eu tive a prova de que o Rei está vivo, durante viagem ao Tahiti.

Como prometi ao próprio Rei nunca revelar como foi nosso encontro, em 2006, no Tahiti, não posso falar nada. Promessas ao Rei são para serem cumpridas. Lamento mas mais do que isso não posso dizer.

Já posso até ver, o dois, sogro e genro, curtindo o paraíso (Tahiti).


Paulo Roberto Bornhofen
26/06/2009

...and the winner is Mr. Santana (o Joel)


Nos últimos dias o senhor Joel Santa tem sido alvo das mais variadas piadas. Tudo por causa do seu modo peculiar de falar inglês. Logo nós, brasileiros, que nem conhecemos direito o nosso idioma, que, aliás, não é nosso, é de Portugal. Estamos metidos até o pescoço com a tal da reforma ortográfica, mas não perdemos a oportunidade de tirar uma lasquinha do Joel Santana.

Tudo isso por quê? Simples, é a mais pura dor de cotovelo! O cara é um vencedor. E isso incomoda. Tem gente dizendo que ele é um analfabeto. Tudo bem elegemos um para ser o nosso presidente (Mr. President). Em sendo ele um analfabeto isso é por acaso algum impedimento para ser um vencedor? Claro que não.

Talvez estejamos estranhando um pouco a fórmula “Joel Santa”. Geralmente costumamos ter outros tipos de ídolos. Que tal um cara famoso como o cantor Belo, aquele do envolvimento com os traficantes? Ou então a cantora Amy Winehouse, aquela que vive drogada. Temos, ainda, o Kurt Kobain, que não agüentou a fama e se matou. Quem sabe a Paris Hilton, que faz vídeo pornô caseiro pra todo mundo ver na internet. Pensando bem, melhor não. Acho que não seria legal um pornô com o Joel.

Mr. Joel fica na dele. Apresenta as suas credenciais, diz que já foi treinador no Japão, na Arábia Saudita, nos Emirados Árabes e agora é a vez da África do Sul, a Bafana Bafana. “É assim que eu coloco o arroz e o feijão lá em casa” disse, candidamente. Que arroz e que feijão seu Joel! Mesa globalizada essa da sua família. Morram de inveja aqueles que se contentam com o arroz e feijão tupiniquim.

Quando perguntaram pra ele do currículo ele disse que não tinha, que tinha testamento. Parabéns Mr. Joel. Continue com o seu Inglês, não se intimide com os invejosos. Diga que tem um belo “legacy” para deixar. Já pensou a turma toda rindo do senhor e dizendo: “po... meu, o cara ganha essa grana toda e só vai deixar um carro de herança! Qual é meu, o que ele fez com o todo o dinheiro? “Caraca velho”, pelo menos podia ser um aviãozinho da Embraer, completa, rindo, outro gaiato.”

Let´s play, Mr. Joel, let´s play. Afinal de contas, who lets the dogs out?
Paulo Roberto Bornhofen
25/06/2009

24/06/2009

O fim da morte súbita e alguns delírios

Quem quer morrer? Quem quer morrer? Quem quer morrer? Repito, quem quer morrer? Foi este o cenário que eu imaginei: você vai andando pela rua e se depara, a cada passo, com um destes entregadores de panfletos. Enquanto ele grita a famosa pergunta, literalmente, enfia na sua cara um panfleto com a inscrição: “fim da morte súbita”.

Em um primeiro momento você leva um choque. Depois, ao ler o panfleto você entende que se trata de mais uma descoberta da ciência. Os cientistas desvendaram o mecanismo que dispara a famosa morte súbita. Meu Deus, você grita. Acabou, não posso mais morrer em paz, lamenta.

Levaram a esperança daquele infarto fulminante, de dormir e não acordar. Agora só morte dolorosa. Os cientistas aprontam cada uma. Fiquei tão traumatizado quando ouvi a manchete, no telejornal, que perdi toda a vontade de assistir ao resto. Desliguei a TV. Até agora estou delirando. Não me interessa o resto da matéria.

Voltando ao delírio acima. Para espantar os panfleteiros, ou panfletadores (qual é o certo, será que existe “um certo” quando se trata de panfletagem?), a idéia de um cidadão blumenauense – andar com um gravador repetindo a mesma frase, algo do tipo: eu não quero, obrigado – ganha corpo, e você grava a sua mensagem.

Daquele dia em diante você passa a andar com um gravador repetindo: Não, obrigado. Eu só quero morrer em paz! O seu gravador faz tanto sucesso que você começa a receber encomendas. Cada dia chega mais encomendas. Como você está ganhando muito dinheiro, logo aparecem outros vendendo os mesmos gravadores, mas com mensagens “customizadas” (essa doeu) e para não perder mercado você contrata uns panfleteiros e começa a distribuir “flyers” (essa dou mais ainda) pelas ruas. Pronto, você entrou no mundo da panfletagem e

Colega leitor
Este foi o texto que encontrei junto ao corpo de um escritor muito amigo. Ao visitá-lo deparei-me com a sena macabra. Prostrado em uma cadeira, bem em frente à mesa, estava o corpo. O computador ligado e na tela aparecia o texto acima, inacabado. Por razões obvias não vou revelar o seu nome. Dias mais tarde o legista comunicou a causa de sua morte. Ele havia morrido de morte súbita. Um infarto fulminante havia lhe levado a vida. Trágica ironia.

Coitado, se tivesse pesquisado mais sobre a descoberta dos cientistas teria visto que toda a equipe foi acometida da tal gripe A, a suína popularmente conhecida, ou Influenza Porcina, para os mais eruditos. Estão todos recolhidos em quarentena. Essa é a vida, cada dia uma surpresa. Até que um dia...

Por isso, viva a vida!



Paulo Roberto Bornhofen
24/06/2009

18/05/2009

Código Morse – um sistema de comunicação cada vez mais atual

O sistema de comunicação conhecido como código Morse foi desenvolvido em meados do século XIX, por Samuel Morse, o inventor do telégrafo e um de seus assistentes. Por muito tempo foi utilizado, principalmente, nas comunicações de longa distância. Várias são as formas se transmitir uma mensagem codificada através do Morse. As mais conhecidas são os pulsos elétricos, as ondas sonoras, sinais luminosos e as ondas de rádio.

Não vou falar de nenhum deles, vou ater-me a uma forma que vem ganhando rapidamente uma grande dimensão, fato que está permitindo ao código manter-se atualizado, a despeito do grande avanço tecnológico. Foram os modernos meios de comunicação que diminuíram a importância de seu uso. Ficou difícil pro velho Morse competir com rádio, celular, e-mail, MSN, Orkut, Twitter e tantos outros. Apenas alguns abnegados se mantêm fiel ao código, como os radioamadores.

Por outro lado, essa mesma tecnologia até que tenta dar um novo fôlego ao famoso código, oferecendo um alento aos saudosistas. No meu Iphone existe um aplicativo que simula uma lanterna. Entre as formas de apresentação da lanterna está um inofensivo isqueiro. Como ele não serve para acender nada, creio que os desenvolvedores do aplicativo imaginaram o seu emprego em shows, quando a platéia ao som de melosas canções produz uma coreografia de luzes. Não é só isso, outra versão da lanterna apresenta um pedido de socorro em código Morse. Isso mesmo, no bom e velho Morse. Só tenho que me preocupar com a carga da bateria – quando a Apple vai fabricar uma bateria decente? – e rezar para que alguém entenda o que significa aquela luz piscando sem parar. Pensando melhor, é bom não confiar na bateria e andar com um isqueiro de verdade no bolso.

Alheio a tudo isso, por incrível que pareça, o velho código resiste. Resiste bravamente através daquelas pessoas que irritantemente insistem em conversar com a gente através de toques, de cutucões mesmo. Costumezinho danado! Tem gente que chega ao absurdo de a cada palavra emitida disparar um irritante cutucão. Tem uns que dão um tapinha, coisinha de leve, algo meio carinhoso, se não fosse a forma que abusam de sua frequência. Outros, de mão pesada, usam a ponta do dedo indicador. Coitado de você se não prestar a atenção, o miserável aumenta a intensidade e a frequência dos tais cutucões. Tenho a impressão de que a amarrar as mãos destas pessoas teria o mesmo efeito que aplicar-lhes uma mordaça. Seria um silêncio absoluto, não conseguiriam falar nada.

Trago comigo a certeza que ao ler este texto você identificou, não apenas um, mas vários de seus conhecidos que agem desta forma. Quando tenho intimidade, suficiente, com a pessoa eu a aviso de que eu não entendo código Morse, que a comunicação deverá se restringir apenas aos sinais sonoros, verbais que fique bem entendido. Quando não tenho muita intimidade sou forçado a aturar o operador de telégrafo. Mas quando a inconveniência se torna muito grande, eu apelo e mando um “não cutuca, meu”.

Costuma funcionar, pelo menos por cinco minutos. Depois o cara liga o telégrafo novamente. Já fiz a experiência de responder na mesma moeda. Transformo-me, momentaneamente, em um “cutucador”. Não adianta, o sujeito não se “toca”. Parece que não se incomoda. Pior, funciona como uma senha que abre caminho para uma intimidade regada a toques e cutucões.

Não tem jeito, acho que é uma praga da modernidade. Não sou psicólogo, mas penso que é algo inconsciente, que está ligado à necessidade das pessoas romperem seu isolamento. Elas precisam tocar em alguém, geralmente em mim, para o meu desespero.

Queria entender por que só os homens têm este costume. Nunca vi, ou fui vítima de uma mulher operadora de telegrafo. As mulheres, me parecem, não têm essa necessidade de se comunicarem através dos toques, ou melhor, dos cutucões. Acho que é coisa só de macho, ou como dizem hoje, coisa de menino.

Esses meninos têm cada tipo de brincadeira! Se você ainda não teve um amigo, destes que utilizam o Morse para reforçar a comunicação verbal, tenha certeza de que você ainda vai ter, pois é tão moderno quanto um Iphone. Pena que a bateria deles não acaba tão cedo quanto ao do aparelhinho da Apple.

Paulo Roberto Bornhofen.
PS: se você tem um destes amigos aproveita e manda o meu texto pra ele. Mas manda com uma dedicatória.