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Blog literário criado em 29/08/2008, na cidade de Blumenau-SC.


20 de fev de 2009

QUERIA SER A RESPOSTA DO PORQUÊ A SOCIEDADE MATA O QUE CRIA


A frase acima compõe uma das obras da artista e escritora Suzana Sedrez juntamente com uma foto de uma mão fechada com o dedo indicador apontado diretamente para o espectador. Usando de suas habilidades de artista plástica com a de escritora Suzana planta uma provocação na nossa mente.

O “dedo da Suzana” como passei a referir-me à obra me deixou cismado. Fiquei com a pulga atrás da orelha, como dizemos por ai. Quando ele apontou para mim será que queria arrancar de mim a resposta, ou estava me acusando de fazer parte da resposta, já que pertenço a sociedade?

Pensei, pensei e pensei. Nada, a resposta não veio. Voltei a pensar mais um pouco e alguns lampejos esclarecedores começaram a se formar em minha mente. A resposta foi sendo construída e tomou forma: a sociedade mata o que cria para se perpetuar, para se reconstruir, para se renovar. Pronto, fiquei feliz por ter “matado” a charada.

Após este medíocre lampejo de felicidade fui tomado por violenta angustia. Oras, a obra da Suzana, é o “dedo da Suzana”, por que fui eu me arvorar o direito de matá-la? Em uma resposta simplista poderia dizer simplesmente que matei por que ela foi criada. Simples assim. Mas a resposta não me convenceu.

Se a sociedade mata o que cria para se renovar, esta renovação não esta criando uma nova sociedade, ou seja, não está permitindo uma evolução da sociedade. Ainda estamos na mesma etapa evolutiva do pós-macaco. Explico, se a sociedade realmente se renovasse não teria mais a necessidade de matar suas crias. Ou não evoluímos, ou eu não encontrei a resposta, não matei a charada. Se não “matei” a charada, não faço mais parte da sociedade. Em não fazendo parte da sociedade não poderei por ela ser morto. Então minha morte será única e exclusivamente responsabilidade minha.

Pensando bem, como seria se caso o “dedo da Suzana” não fosse o indicador apontando, mas sim o dedo médio apontando para cima, com os demais fechados em punho? Agora a resposta está mais clara!

Paulo Roberto Bornhofen
Escritor e Poeta