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Blog literário criado em 29/08/2008, na cidade de Blumenau-SC.


16 de fev de 2010

Discurso de posse na presidência da Sociedade Escritores de Blumenau

Autoridades anteriormente nominadas pelo cerimonial, senhoras e senhores.

Agradeço a presença de todos que aqui vieram para prestigiar este ato de posse da nova diretoria e dos conselhos da SEB.

Vocês não irão ouvir qualquer tipo de promessa para este ano. Vão ouvir, apenas, uma certeza de comprometimento, meu, da diretoria e dos conselhos que hoje tomam posse.

Comprometimento com a causa literária através da SEB. A nossa diretoria tem sim alguns projetos que com certeza irão causar um belo impacto na cultura da nossa querida Blumenau. Como vocês podem ver, nossas pretensões não são pequenas. Até porque eu não entendo a razão para se pensar pequeno. Estes projetos serão detalhados, em um primeiro momento, para o Conselho Consultivo e posteriormente para a Assembleia Geral.

Adianto apenas, que o nosso carro chefe será o projeto Amigo do Leitor. Projeto este que já conquistou a parceria da Fundação Cultural de Blumenau e que irá distribuir, gratuitamente, para os leitores de Blumenau, um mínimo de 3.000 livros. Reitero o meu entendimento de que aqui e agora não é o momento adequado para entrar em detalhamentos, sirvo apenas um leve e delicioso petisco para que todos sintam aquela vontade de compartilhar junto à SEB esta importante temporada literária que iremos viver ao longo de 2010.

Como não irei me alongar, reitero os meus agradecimentos, assumindo o compromisso de canalizar as minhas energias, como presidente desta entidade, que no ano passado completou seus 10 anos, para que o nosso lema não seja apenas uma bela frase, ou uma frase de impacto e sim uma certeza: SEB - COMPROMISSO COM O LEITOR.

Obrigado!

Paulo Roberto Bornhofen – Presidente SEB 2010.

Fax – Tecnologia pré-histórica

A tecnologia da comunicação vem experimentando avanços extraordinários em nossos dias. A internet tem lá sua parcela de “culpa” com os e-mails, programas de mensagens instantâneas, blogs, redes sociais e tantas outras.

Não faz muito tempo que o suprassumo da tecnologia da comunicação era o aparelho de fax, ou melhor, o fac-símile. Nos primórdios da era do fax era preciso ter uma linha telefônica dedicada exclusivamente para a engenhoca tecnológica. Era coisa pra pouca gente, como se costuma dizer.
Para minha surpresa, o tal do fax resiste aos avanços tecnológicos. Até pensei em dizer que ele resiste bravamente, mas acontece que o verdadeiro bravo é quem inadvertidamente resolve operar um destes aparelhos. É uma verdadeira operação de engenharia.

Dias destes fui testemunha ocular, e por pura incompetência não me tornei coautor no ato de operar uma destas geringonças. Garbosamente a jovem instalou o aparelho sobre sua mesa. Algo enorme, para os nossos padrões, um trambolho pavoroso, talvez seu volume fosse igual ao de uns quatro ou cinco laptops empilhados, ou de no mínimo uns trinta celulares. Egoisticamente passou a ocupar mais de trinta por cento da superfície da mesa.

Ligar o equipamento foi tarefa mais fácil e que foi vencida rapidamente. Agora a jovem estava diante de um enorme desafio: fazê-lo funcionar. Primeiro era preciso instalar uma bobina, mas não a de papel em branco. Era uma bobina de papel carbono. Isso mesmo, presenciei a união de duas tecnologias altamente obsoletas, o fax e o carbono. Bela dupla, se fosse o nome de uma dupla de cantores ao estilo sertanejo-universitário poderiam até fazer sucesso: “fax e carbono”.

Foi neste momento que eu quase participei como coautor, mas tive que render-me diante da total e completa incompetência em manusear tal artefato paquidérmico. Pedi para ver o manual e quando li a primeira linha de instruções fui tomado por um estado de puro pânico. Um pavor se apossou de minha alma, o tal do manual mandava virar o conjunto da bobina de cabeça para baixo... Desisti! Se assim era o começo não queria saber o restante.

Mas a jovem não. Diferentemente do restante do universo feminino, ela não se intimidou diante de tal desafio tecnológico. Eu até sei que as mulheres são obstinadas, que não desistem perante o primeiro obstáculo, desde que este não seja um equipamento eletrônico. Todos já presenciamos as nossas ladies operando, ou tentando operar, um simples controle remoto.

Voltemos ao herdeiro do sinal de fumaça, sim, ao fax. Mexe daqui, mexe dali, vira de ponta cabeça (a bobina, depois o fax e quase que a própria jovem), enrola pra lá, enrola pra cá; agora desenrola tudo e eis que o aparelho ganha vida. Começa a funcionar, só faltou uma palmadinha, como se faz com os recém-nascidos.

Faltava ainda a prova final. Seria o aparelho capaz de enviar e receber uma mensagem, ou melhor, um texto impresso em papel? Isto já não era mais um simples questionamento, era um verdadeiro dilema. Naquele momento representava a pedra filosofal da comunicação por via eletrônica.

Em um devaneio, imaginei como teria sido a sensação do inventor do fax ao realizar o primeiro teste. Se não funcionar? Retornando ao nosso amigo fax, só tinha um jeito de saber. Um texto deveria ser enviado. Imediatamente uma folha impressa foi providenciada. Uma euforia tomou conta do ambiente. Sem nos importarmos com o seu teor, aquele texto adquiriu importância ímpar, tal qual a carta de Pero Vaz de Caminha que deveria ser entregue ao Rei, aquele texto deveria ser transmitido e acima de tudo, recebido por outro “fax-sauro”. Pronto, texto enviado.

Passados alguns instantes, eis que surge a jovem exibindo uma pálida folha de papel com a reprodução do texto anteriormente enviado. Majestosamente ergueu o texto com ambas as mãos, e assim como faz o ganhador da maratona olímpica do alto do pódio, exibiu o troféu representando sua vitória. Maravilha.

Pensando bem até que faz sentido todo este sentimento de vitória, pois preservadas as devidas proporções, o que eu havia presenciado tinha sido uma autêntica batalha épica, pelo menos as armas usadas pertenciam a um tempo muito, mas muito longínquo.