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Blog literário criado em 29/08/2008, na cidade de Blumenau-SC.


3 de set de 2008

Trilogia de uma noitada - Parte III - Um cantor amigo da família

Quem não está fazendo nada de errado não precisa se esconder, certo? Certíssimo! Com o desenvolvimento da tecnologia empregada à captação de imagens atingindo os níveis que estão, mesmo para aqueles que estão fazendo as coisas erradas fica mais difícil de esconder. Não é a toda que diariamente explodem escândalos os mais variados. Já não é exclusividade de agentes secretos, do tipo 007, o uso dessa parafernália.

Mas não é só a moderna e avança tecnologia que nos prega peças, o bom e sempre presente ser humano é que nos prega a maioria delas. Já escrevi algumas crônicas sobre vários episódios ocorridos quando sai com umas colegas do mestrado para um inocente chopinho – durante uma viagem de dez dias de minha esposa ao exterior - e recorro a esse momento para escrever mais uma. Acho que quando finalmente essa série de crônicas se esgotar, vou reunir todas, não em uma antologia, mas sim em uma enciclopédia. Uma enciclopédia destinada os maridos, a um tipo especial de marido, aquele marido incauto, com falta de prática em lidar com as situações que se apresentam quando a esposa se ausenta em viagem. Não que eu tenha feito algo de errado, ou que mereça reprovação. Muito pelo contrário, tudo o que fiz, faria sem problema algum mesmo se a minha esposa não estivesse fora do país por intermináveis dez dias. Mas acontece que durante a ausência dela as coisas tomam proporções diferentes, ou melhor, interessantes.

Um simples ato de ir a uma choperia e ficar sentado todo tempo tomando um saboroso chope com colegas de mestrado, algo inofensivo, diria até que trivial, banal, cria uma série tão grande de eventos que acaba desencadeando um infindável número de crônicas. Talvez não merecesse sequer uma linha, e assim seria se a esposa não estivesse ausento do país.

Então, chegamos à choperia e um cantor solitário se apresentava. Alias um bom cantor, com variado repertório, que lhe permitia incursões aos sucessos dos anos setenta, bem como aos atuais. Não prestei muita atenção à pessoa do cantor, apenas as suas qualidade líricas, até que em determinado momento ouvi o seu nome. De imediato um alerta soou, eu o conheço. Olhei bem para ele e a única opção que encontrei era a de que o nosso cantor fosse um conhecido da família da minha esposa. Comentei com minhas colegas - ele é da família - elas duvidaram e o riso foi geral. Chamei o garçom e solicitei algumas informações sobre o homem, ao que o garçom não soube responder e eu pedi que ele fosse se informar. De repente estava eu super interessado na figura, seria mesmo ele? Logo o garçom estava de volta com a resposta-confirmação, era mesmo o amigo da família. Devo dizer que por uns longos momentos fui uma infeliz e solitária vítima das gozações de minhas colegas. Fazer o que? Foi uma situação ao mesmo tempo estranha e engraçada, ainda bem que eu não estava fazendo nada de errado, nada mesmo de errado! Mas porque será que eu fico repetindo isso a toda hora? Não sei, mas que não estava, isso não estava!

Paulo Roberto Bornhofen
Escritor e Poeta

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