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Blog literário criado em 29/08/2008, na cidade de Blumenau-SC.


6 de set de 2008

A primeira vez

Temos um fascínio pela primeira vez. Em tudo a primeira vez é marcante. Dizem os românticos, que é pela entrega. Já os mais realistas, afirmam que é por que é ruim mesmo. Na primeira vez falta tudo, falta experiência (por isso é a primeira), falta compreensão e falta muita coisa. Por outro lado, sobra tudo, sobra nervosismo, sobre medo, receios e sobre muita coisa. Quem consegue esquecer da primeira vez que andou de montanha russa? Da primeira pescaria? Do primeiro dia de aula?
Para alguns sua primeira vez vem cedo, outros tem que esperar. Essa espera pode estar relacionada com o amadurecimento que é necessário e para muitos pode demorar mais que o normal. Outros vão postergando sua primeira vez por puro medo, por vergonha. E quanto mais o tempo passa, pior fica. O medo do fracasso vai tomando conta. O desespero de expor sua falta de jeito, de não saber como lidar com os detalhes, que já não são tão detalhes assim, pois podem representar a diferença entre o sucesso e o fracasso. Ter de se expor assim em sua intimidade para alguém é algo assustador, e quanto mais o tempo passa mais vai potencializando as angustias e como que entrando em um circulo vicioso, vai afastando do grande momento.
Mas se não acontecer, não é a primeira vez, por isso todos passamos por ela. É como um rito de passagem, a vida se divide entre o antes e o depois da primeira vez. Os iniciados formam um grupo invejado.
Foi em meio a todas essas interrogações que de repente me vi no limiar de minha primeira vez. Foi dificílimo e só me rendi após vários apelos de uma colega de mestrado. Várias vezes ela me disse: vai experimenta! Você vai gostar! É bom! Expande nossas fronteiras! Permite-nos interagir melhor com os amigos! E eu pensava comigo, isso é fácil pra ela, que já está acostumada e é bem mais jovem que eu. Mas e eu? Já passei dos 40, será que ainda existe esperança para mim?
Após muito refletir, tomei a decisão, eu faria! Mas, me impus uma condição, tinha que ser com ela, com a minha amiga do mestrado e teria de pega-la de surpresa, para não dar chances de um arrependimento, por parte dela é lógico. Não, não, não, não poderia ser com qualquer um, melhor com qualquer uma. Já que era para ser minha iniciação, teria de ser com alguém com experiência e acima de tudo, uma pessoa em quem eu confiava.
Preparei-me. Cumpri todo um ritual de preliminares, mas mesmo assim foi tumultuado. Não por culpa dela, nem minha, mas toda hora tinham outras pessoas que atrapalhavam e a gente não conseguia entrar em sintonia. Era um tal de espera ai, já volto, pronto, podemos recomeçar, espera ai (de novo), agora vai (pela vigésima vez), onde foi mesmo que paramos? Pra mim, foi um pouco ríspido, com todas essas interrupções. Como me atrapalharam, cheguei em certos momentos a achar que estava acima das minhas capacidades e que deveria desistir de tudo, me recolher a minha insignificância, desistir. O pior era ter que recomeçar tudo novamente, não dava para simplesmente seguir de onde paramos, pelo menos para mim, tinha que voltar um pouco e recomeçar. Confesso que foi estafante, em certos momentos beirava o desespero. Foram interrupções de mais de 10 minutos, e eu ali, parado, só podendo me contentar em meramente ser um espectador, nada de interação, ficava literalmente na mão.
Mas valeu a pena, como ela foi maravilhosa, como me conduziu com paciência (nos momentos certos), com maestria desvendava cada segredo, pelo menos para mim era segredo. Ensinava-me e demonstrava cada movimento. Revelou grande fluência, típica daqueles que tem muita experiência. De minha parte, ficava extasiado com cada nova descoberta, e quando eu pensei que havia acabado ele placidamente me provocou – fica melhor quando chamarmos mais amigos, em grupo também é bom, pode ser até melhor, dependo do grupo. Para mim aquilo soou como um desafio. Eu mal havia sido iniciado e já estava pronto para novas emoções. Então ta certo, a próxima vez vai ser em grupo.
Pois é, foi assim aos 42 anos de idade que tive minha primeira experiência, fui apresentado aos prazeres e desafios do MSN, o famoso programa de conversa on line. Como é bom esse tal de MSN. Viva o MSN!

Paulo Roberto Bornhofen
Escritor e Poeta

2 comentários:

Clevane_em_Pessoa disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Clevane_em_Pessoa disse...

Paulo Roberto:
Gosto de seu estilo.Crônica é um gênero ao qual estou afeita .Em meus tempos de jornal , escrevi muitas.Essa forma de deixar para o final ,o toque de humor, o desfecho inesperado ou a pergunta no ar, é uma delícia nessa "A Primeira vez",especificamente.
Visite-me:http://clevanepessoaeoutraspessoas.blogspot.com
e
http://erotissima.blogspot.com
Vi seu convite para conhecer este seu espaço, em um e-mail do Carlos Leite ,do CEN.
Estou em Palavras Azuis, com a série "Poetas suicidas.Uma ressalva:o título de cada poemeto, "Poeta suicida", ficou como último verso das estrofe anterior.
Mas dará para vc conhecer meu estilo.Vou ler suas páginas.
Um abraço cordial:Clevane Pessoa de Araújo Lopes
pessoaclevane@gmail.com