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Blog literário criado em 29/08/2008, na cidade de Blumenau-SC.


30 de out de 2010

Eu e o javali – o duelo *

Dizem os especialistas que nossos medos são heranças de nossos ancestrais. Coisas do tempo em que para garantir nossa sobrevivência, entrávamos em luta contra nossas presas.

Tudo bem, o tempo passou e o homem firmou sua posição no topo da cadeia alimentar. Não precisamos mais nos aventurar na natureza, tudo está embalado no supermercado. É só pegar e pagar.

Porém, somos eternos insatisfeitos e buscamos um aprimoramento constante, o que me levou ao curso de gastronomia. Não emprego mais minhas energias na caçada, mas sim na arte de melhor preparar a besta.

Tudo ia bem, até que um dia (sempre tem o tal do dia) fui encarregado de acompanhar uma chefa (chef) de renome nacional em um evento gastronômico. Por acompanhamento, entenda-se o serviço pesado. Tudo era alegria, creio que era semelhante ao que acontecia na época do Renascimento, quando aos aprendizes era dado o direito de acompanhar um dos grandes mestres, alguém como um Michelangelo, entenderam?

A ficha ainda não tinha caído. Eu não estava conseguindo ler os sinais, algo terrível estava por vir, representado por uma besta-fera, o javali. Ao chegarmos à cozinha, minha mestra gentilmente apontou-me para algo disforme dentro de um recipiente e disse: “preciso dele cortado em cubos de 2 cm”.

Paramentei-me, adequadamente, com o jaleco de chef, avental transpassado e lenço (bem ao estilo pirata). Abri meu estojo e retirei as facas. Não, eu ainda não conseguia ler os sinais. Estava totalmente cego. Com a firmeza de um guerreiro, decidido que estava, lancei-me na direção do meu objetivo e agora sim, a ficha caiu, violentamente. Era um pernil de javali. Inteiro e imponente pernil de javali esperando para ser reduzido a cubos de 2 cm. Antes, porém, era preciso desossá-lo (dentro da técnica). Agora sim, o drama estava materializado.

Eu, que até aquele momento havia desossado apenas e tão somente uma insignificante cocha de galinha, me vi diante do maior de todos os desafios. Ouvia, na minha mente, o texto de abertura da série de TV “Jornada nas estrelas”: “indo audaciosamente aonde nenhum homem jamais esteve”. Esse era o tamanho do desafio que tinha pela frente.

Para minha sorte, o pernil não tinha vida, mesmo assim, tenho que admitir, levei uma surra.

Só que a vitória final foi minha. Reduzi aquele antes imponente pernil de javali a ridículos cubos de carne de 2 cm. Vencido este obstáculo, que fiz de tudo para que a mestra não percebesse minha total falta de habilidade, levantei a cabeça, enchi o peito e com a sutileza de uma horda de javalis em deslocamento, fiz-me ser notado. O “gran finale” se aproximava, bastava transferir os irrelevantes cubos de carne para o recipiente em que seriam temperados e minha missão estaria brilhantemente concluída.

Moleza, para quem já havia feito a parte mais difícil, pensei eu. Mas, eis que o verdadeiro desastre se concretizou. Juro, caro leitor, que aqueles cubos ganharam vida própria, com alguns deles saltando diretamente para o chão, quase atingindo os pés de minha mestra. Não sei dizer ao certo quantos deles, pois sumiram em desabalada carreira. Os mais atrevidos, antes de sumirem por debaixo das bancadas, viraram-se para mim e, tal qual crianças mal educadas, fizeram mesuras, mostrando-me a língua, antes de sumirem por debaixo das bancadas.

Agora, os seguranças estão se recusando a estender suas rondas aos domínios do laboratório de gastronomia da faculdade, pois dizem que é possível ouvir, em certas noites, o som furioso dos javalis em busca de vingança.

Paulo Roberto Bornhofen

* Texto publicado no site Temperando a Vida com Ana Toscano da Escola de Gastronomia de Brasília.

13 de set de 2010

Índios no cinema

Quando era criança vivia com uma turma da vizinhança, todos filhos de operários. Como meu pai era Sargento da PM considero-me, também, filho de operário. Em toda boa turma que se preze, os menores sempre ouvem os mais velhos, na minha era assim, e eu era dos mais novos.

Durante as reuniões os assuntos eram os mais variados possíveis. Como naqueles idos a televisão estava começando a invadir os lares, volta e meia o assunto girava em torno de algo que aparecera na TV. Os filmes, os filmes eram o grande assunto, temas das mais acaloradas discussões.

Lembro de uma vez em que um dos colegas, dos mais velhos, disse que nos Estados Unidos haviam reservas em que eram criados índios e que estes índios eram depois mortos nos filmes. A comoção foi geral. Ninguém queria acreditar, não podia ser.

Quer dizer que aqueles índios que víamos serem mortos as centenas em cada filme, desde Rin Tim Tim até o General Custer foram mortos de verdade? Meu amigo jurava, de pés junto, que sim.

Alguns, mais expertos, não se convenceram. Não era verdade. Aquilo tudo era “de faz de conta”. Coitados, foram vítimas do escárnio infame de meu amigo.

A conversa ficou acalorada e quase terminou em briga. Ao final saímos todos convencidos de que sim, nos Estados Unidos criavam-se índios para serem mortos no cinema e ponto final.

Só sei que nos dias seguintes ao assistir filmes de Velho Oeste, me dava uma dó, que beirava o desespero, só de saber que aquele monte de índios tinha sido morto de verdade.
Mais tarde veio o alívio, quando soube que era mentirinha de cinema, que os índios não eram mortos nos filmes. Que alegria!

Bem depois, já adolescente, é que fui tomar conhecimento da matança impetrada pelos colonizadores brancos contra os povos indígenas nas terras do Tio Sam.

Agora, entendo que meu amigo, mesmo em sua ingenuidade, estava coberto de razão. É, devemos sempre prestar atenção ao que os mais velhos têm a nos dizer, a verdade pode ser cruel.

Paulo Roberto Bornhofen

30 de ago de 2010

A vizinha


Todos já tiveram uma vizinha daquelas que a gente tem vontade de pegar. Sendo bem sincero, passamos por uma idade que temos vontade de pegar toda e qualquer menina da vizinhança, coisas de hormônios, alegam os especialistas. Comigo não foi diferente.

Em minha vizinhança, quando era pequeno, tinha uma família com três filhas. A mais velha era um verdadeiro avião e muito namoradeira. Mas não dava bola pra gente. Éramos muito criança pra ela. Enquanto ela já namorava e frequentava festinhas e bailes em outros bairros, só nos era permitido curtir festinhas na garagem de algum vizinho, onde os pais sempre podiam manter um olho na gurizada.

As duas irmãs, as mais novas, até que eram disputadas pela rapaziada da rua. Às vezes, algum felizardo conseguia dar uma namoradinha com uma delas, raridade das raridades. Só que namoradinha naquela época não era como hoje. Nem existia a tal história de ficar. Fazer sexo, então? De jeito nenhum. Coitada da menina que fizesse sexo. Não, namoradinha, era coisa para pegar na mão de dar uns beijinhos as escondidas.

Como não tínhamos idade para explorar outros bairros, a diversão ocorria sempre na casa de algum vizinho. A turma se reunia para ouvir música e bater papo. As festinhas de garagem, que comentei acima, ocorriam apenas em datas especiais. A conversa engrenava, e quando muito, lá pelas 10horas da noite tínhamos que ir para casa. Agora, caro leitor, você está conseguindo ter uma boa ideia da idade da rapaziada, algo como 13 ou 14 anos.

Foi em desses encontros, na casa das três irmãs, que eu tive a certeza de que meu coração era forte. Lembro bem que era um sábado à noite. É fácil saber que era sábado por que era o único dia da semana que eu podia sair. Estávamos sentados próximo a porta de entrada da casa quando a filha mais velha (o avião, a namoradeira) saiu do banho e desfilou de camisola perante a molecada. Era uma camisola lilás - lembro-me como se fosse hoje - transparente, permitindo que a molecada conferisse cada detalhe das curvas daquele avião.

Ver uma mulher de camisola era algo impensável, ainda mais naquela transparência. Era muita areia para toda a frota de caminhãozinho da gurizada. Permita-me, caro leitor, abdicar de qualquer referência as roupas intimas (sim, ela as usava e basta saber isso), pois é o tipo de indiscrição que não me permito.
Ouve um silencio geral, até constrangedor, quando ela, a deusa, passou ignorando solenemente aquele bando de moleques. Virou as costas, entrou no quarto e fechou a porta, deixando atrás de si uma matilha de espinhentos e imberbes desesperados.

Bastou um dos colegas se despedir para os demais enfileirarem e irem embora, ninguém quis ficar sozinho com as, então, disputas irmãs. Naquela noite, minha mãe não precisou gritar da janela me chamando. Muitos menos, me mandar pro chuveiro. Tão logo cheguei, peguei minhas coisas e fui “tomar meu banho”. Minha mãe precisou, sim, me mandar, umas três vezes, desligar o chuveiro. Acho que o foi o banho “mais bem tomado” em toda a minha infância/juventude, que só terminou com a ameaça de meu pai em invadir o banheiro e me tirar à força do chuveiro.

Tenho a impressão de que naquele sábado à noite o mesmo fato se repetiu na casa de todos os meus amigos. Para a felicidade das mães, todos foram dormir bem limpinhos.

Paulo Roberto Bornhofen

23 de ago de 2010

Maracanã, eu fui!


Todos que me conhecem sabem que não tenho a mínima intimidade com o futebol. Não nasci para os esportes. Não tenho time, não vou ao estádio, muito menos perco meu tempo em frente à TV para acompanhar uma partida. Tudo muda, porém, durante a copa. Dou-me o direito de assistir as partidas que o Brasil disputa, apenas estas.

Como certas coisas acontecem sem explicação, estou eu em pleno ano de 1989 no Maracanã assistindo ao jogo entre Brasil e Chile, pelas eliminatórias. O jogo que nunca terminou.

A chegada ao Maracanã já foi um deslumbramento, o movimento de pessoas, de carros, de ônibus, de tudo, era algo inigualável. Nunca tinha visto nada parecido com aquilo em minha querida Florianópolis, ou na minha nova paixão, a loira Blumenau.

Chegamos, entramos no templo do futebol e fomos procurar um lugar. O Maracanã estava lotado, com gente saindo pelo ladrão. Carioca é tudo gente boa, e logo nos arrumaram um lugar.

Pronto, era só esperar o apito inicial.

O jogo começa. A bola rolando e ao meu lado alguém acende um baseado. Não demora muito e me oferecem, recuso. A bola continua rolando e o baseado é substituído por um carreiro de cocaína, magistralmente arrumado em uma cédula. – Vou chamar a polícia. Alias, o policiamento era maciço no estádio. – Tá maluco, adverte meu colega. Vamos morrer aqui, fica quieto e assiste o jogo.

Sim, tinha o jogo. Voltei minha atenção para o campo, mas não por muito tempo. Começa uma briga no alto das arquibancadas. O estádio estava cheio, atulhado, mas eis que se abre uma clareira. Um dos envolvidos na briga desce correndo, se forma um corredor polonês, aonde o miserável vai passando, vai tomando porrada. Lá embaixo é socorrido por uma dupla de policiais e levado para fora. Mais alguns instantes e outra briga começa. Mal posso ver os policiais chegando e um deles leva um tabefe que a sua boina voa longe e cai direto no anel inferior. Não demora muito e os policias saem carregando os briguentos.

Retorno minha atenção para o jogo, afinal, era por ele que eu estava ali. Atrás da trave do Chile sobe um sinalizador. Sobe, sobe e começa a cair, devagarzinho. O povo acompanha. Puf, bateu no chão. O goleirão do Chile olha pra trás, onde havia caído o sinalizador, e se joga sobre o artefato.

Jogo parado. Vem médico, bandeirinha, todo o banco do Chile. Vira uma confusão. Todo o time, ou melhor, seleção do Chile se retira para o vestiário, abandonam o jogo.
O árbitro dá o jogo por encerrado. Fim de minha aventura futebolística. Esta é a minha experiência como torcedor, fui uma única vez ao templo maior do futebol brasileiro, o lugar onde nos idos de 50 o Brasil perdeu a final da copa do mundo. Eu, bem, que posso dizer? O jogo nem terminou.

Estou pensando em assistir alguns jogos na Copa de 2014 – apenas os da seleção brasileira, que fique bem claro – só para ver o que acontece. Alguém me acompanha?

Paulo Roberto Bornhofen

2 de ago de 2010

Eu, Parteiro!?

Certas coisas não combinam comigo. A paternidade é, sem dúvida, a principal delas. Não tenho qualquer afinidade com a natureza procriadora do chamado ser humano. Fui criado na doutrina cristã. Quando jovem, fui muito praticante, sendo coroinha – tá certo que foi só em uma missa – pertenci a grupo de jovens e ia à missa toda semana. Hoje, não mais pratico, a religião, apenas mantenho a minha fé.

Como cristão li a bíblia. Entendo que quando o Criador proferiu a sentença “crescei e multiplicai-vos”, Elo o fez para toda a humanidade em geral e não para cada casal em particular. É uma questão ecológica, obviamente. Alias, se algum ser pode se considerar ecologicamente correto, o Criador é este ser.

Pois bem, acho que todos entenderam que eu não tenho e nunca tive a mínima familiaridade com a arte da procriação. Resumindo, para os que ainda não entenderam, não tenho filhos! Ou melhor, que eu saiba, não os tive. Não sei o que é o convívio com uma mulher em estado de gravidez. Quando, em frente à TV, aparece uma cena de parto, confesso que fujo da sala, se minha esposa insistir em vê-la, ou mudo de canal, quando sozinho.

Mas, nem tudo na vida são flores. Vai que em meu serviço surge uma grávida. Foi interessante acompanhar o desenvolvimento deste estágio na vida daquela mulher. Vi-me envolvido em conversas totalmente estranhas ao meu imaginário. Coisas do tipo, o neném está com tantos centímetros, já pesa tanto, ontem mexeu, hoje está chutando muito, o pai anda meio bobo (acho que este estágio de bobeira atinge a todos os pais indistintamente).

Assim a vida seguia o seu destino, com aquela mulher aumentando de tamanho a cada dia. Cheguei até a imaginar que um dia o bebe tomaria todo o seu corpo, tamanha proporção que a criatura que estava ganhando. Até que, eis que determinada manhã me chega a futura mamãe, e sem pedir licença – muito menos avisar – comunica: a minha médica está me esperando hoje, a qualquer hora. É que a minha barriga está muito dura e sinto algumas dores. Disse, ainda, que era um tipo de preparo para as contrações, ou algo assim. Confesso (meu lado cristão novamente se manifestando) que meu estado de pavor já não me permitia prestar atenção a qualquer coisa. Para piorar, sim ficou pior, ela disse que havia tido um sangramento.

A casa literalmente caiu. Um terror se apoderou de mim. Meu Deus, o que eu vou fazer? E se essa mulher resolve dar a luz agora? Um universo de possibilidades, todas catastroficamente medonhas, assombrava minha lucidez, ou o que sobrou dela. – Te arranca pro médico, vai cuidar dessa criança, disse eu. Para minha felicidade fui rapidamente atendido, o que permitiu a minha salvação. Graças ao bom Deus, que em Sua infinita sabedoria, livrou aquela criança de vir ao mundo sob os meus cuidados. Amém e que assim seja, para o todo e sempre!

Paulo Roberto Bornhofen

1 de mai de 2010

Promoção: : Quem matou Lula da Silva

Tive a grata satisfação de ser o vencedor da promoção "Quem matou Lula da Silva?"



22 de abr de 2010

Mediando literatura - SESC Blumenau

PROGRAMAÇÃO ABRIL

22 de abril – quinta-feira
Mediando literatura – exibição do documentário “Olhar de Poeta” e debate com escritor Ricardo Brandes

Considerado pela crítica literária um dos maiores poetas brasileiros, Ferreira Gullar fala sobre sua obra em pleno exercício. O autor relata os marcos e curiosidades de sua vida, como a militância política, o exílio e o mercado de poesia no país.
Local: Auditório SESC – 19 horas - ENTRADA FRANCA

23 de abril - sexta-feira
Mediando literatura – exibição do documentário “Poetas e Leitores” e debate com escritor Paulo Roberto Bornhofen

O professor Ítalo Moriconi e o jornalista José Nêumanne traçam um panorama da poesia contemporânea e discutem seu papel no mercado editorial brasileiro. O programa reflete o papel das antologias na ampliação do público leitor e investiga o papel dos dois como organizadores de importantes volumes sobre a produção poética no século 20.
Local: Auditório SESC – 19 horas- ENTRADA FRANCA

24 de abril – sábado
Espetáculo Teatral – Dois Legumes – Cia Legumes/Bnu – 19h
Local: Estacionamento do SESC

25 de abril – domingo
Espetáculo Teatral – Dois Legumes – Cia Legumes/Bnu – 19hLocal: Estacionamento do SESCTrio Morirz – 20h
Local: Fundação Cultural de Blumenau – Auditório Edith Gaertner

26 de abril – terça-feira
Mediando literatura – exibição do documentário “Literatura Marginal: Poesia” e debate com escritor Tuco Egg
O programa conversa com o poeta Chacal e a professora Heloísa Buarque de Hollanda. Eles falam sobre o movimento literário conhecido como Poesia Marginal, ou Geração Mimeógrafo, que engloba vários autores caracterizados pelas formas alternativas de publicação e divulgação de suas obras.
Local: Auditório SESC – 19 horas - ENTRADA FRANCA

28 de abril – quarta-feira
Recital de Poesia – 20h Interpretação dos poemas selecionados de Ferreira Gullar, Cruz e Sousa e Paulo Leminsky.
Local: Casa SESC - Rua Getulio Vargas 227 - ENTRADA FRANCA

14 de mar de 2010

Entrevista

Leitores

Concedi uma entrevista ao Fabrício Wolf sobre o meu livro digital Epicentro de uma tragédia.
A entrevista foi no programa TVL Cultura da TV Legislativa em Blumenau.
O programa foi ao ar dia 12 de março de 2010.
Clique aqui para assistir a entrevista.
O primeiro entrevistado é o escritor Viegas Fernandes da Costa que recentemente lançou o livro Pequeno Álbum.

10 de mar de 2010

Epicentro de uma tragédia




Baixe, gratuitamente, o meu mais recente livro: Epicentro de uma tragédia - Relatos e dramas de policiais militares que estiveram no centro da catastrofe que atingiu Santa Catarina em novembro de 2008.

22 de fev de 2010

Convite - lançamento de livro digital



Livro: Epicentro de uma tragédia - Relatos e dramas de policiais militares que estiveram no centro da catástrofe que atingiu Santa Catarina em novembre de 2008.

Autor: Paulo Roberto Bornhofen

Local: Auditório Carlos Jardim - Fundação Cultural de Blumenau

Data: 09 de março de 2010

Horário: 20horas

O que é Epicentro de uma tragédia?

É um livro resultante da entrevista com policiais militares que atuaram em Blumenau e região durante a catástrofe de novembro de 2008.

Estas entrevistas resultaram em 12 histórias que narram os dramas pela ótica dos policiais militares envolvidos.

Leia o texto Três formas de terror que é parte integrante do livro.

Abraços,

Paulo R. Bornhofen
Escritor

16 de fev de 2010

Discurso de posse na presidência da Sociedade Escritores de Blumenau

Autoridades anteriormente nominadas pelo cerimonial, senhoras e senhores.

Agradeço a presença de todos que aqui vieram para prestigiar este ato de posse da nova diretoria e dos conselhos da SEB.

Vocês não irão ouvir qualquer tipo de promessa para este ano. Vão ouvir, apenas, uma certeza de comprometimento, meu, da diretoria e dos conselhos que hoje tomam posse.

Comprometimento com a causa literária através da SEB. A nossa diretoria tem sim alguns projetos que com certeza irão causar um belo impacto na cultura da nossa querida Blumenau. Como vocês podem ver, nossas pretensões não são pequenas. Até porque eu não entendo a razão para se pensar pequeno. Estes projetos serão detalhados, em um primeiro momento, para o Conselho Consultivo e posteriormente para a Assembleia Geral.

Adianto apenas, que o nosso carro chefe será o projeto Amigo do Leitor. Projeto este que já conquistou a parceria da Fundação Cultural de Blumenau e que irá distribuir, gratuitamente, para os leitores de Blumenau, um mínimo de 3.000 livros. Reitero o meu entendimento de que aqui e agora não é o momento adequado para entrar em detalhamentos, sirvo apenas um leve e delicioso petisco para que todos sintam aquela vontade de compartilhar junto à SEB esta importante temporada literária que iremos viver ao longo de 2010.

Como não irei me alongar, reitero os meus agradecimentos, assumindo o compromisso de canalizar as minhas energias, como presidente desta entidade, que no ano passado completou seus 10 anos, para que o nosso lema não seja apenas uma bela frase, ou uma frase de impacto e sim uma certeza: SEB - COMPROMISSO COM O LEITOR.

Obrigado!

Paulo Roberto Bornhofen – Presidente SEB 2010.

Fax – Tecnologia pré-histórica

A tecnologia da comunicação vem experimentando avanços extraordinários em nossos dias. A internet tem lá sua parcela de “culpa” com os e-mails, programas de mensagens instantâneas, blogs, redes sociais e tantas outras.

Não faz muito tempo que o suprassumo da tecnologia da comunicação era o aparelho de fax, ou melhor, o fac-símile. Nos primórdios da era do fax era preciso ter uma linha telefônica dedicada exclusivamente para a engenhoca tecnológica. Era coisa pra pouca gente, como se costuma dizer.
Para minha surpresa, o tal do fax resiste aos avanços tecnológicos. Até pensei em dizer que ele resiste bravamente, mas acontece que o verdadeiro bravo é quem inadvertidamente resolve operar um destes aparelhos. É uma verdadeira operação de engenharia.

Dias destes fui testemunha ocular, e por pura incompetência não me tornei coautor no ato de operar uma destas geringonças. Garbosamente a jovem instalou o aparelho sobre sua mesa. Algo enorme, para os nossos padrões, um trambolho pavoroso, talvez seu volume fosse igual ao de uns quatro ou cinco laptops empilhados, ou de no mínimo uns trinta celulares. Egoisticamente passou a ocupar mais de trinta por cento da superfície da mesa.

Ligar o equipamento foi tarefa mais fácil e que foi vencida rapidamente. Agora a jovem estava diante de um enorme desafio: fazê-lo funcionar. Primeiro era preciso instalar uma bobina, mas não a de papel em branco. Era uma bobina de papel carbono. Isso mesmo, presenciei a união de duas tecnologias altamente obsoletas, o fax e o carbono. Bela dupla, se fosse o nome de uma dupla de cantores ao estilo sertanejo-universitário poderiam até fazer sucesso: “fax e carbono”.

Foi neste momento que eu quase participei como coautor, mas tive que render-me diante da total e completa incompetência em manusear tal artefato paquidérmico. Pedi para ver o manual e quando li a primeira linha de instruções fui tomado por um estado de puro pânico. Um pavor se apossou de minha alma, o tal do manual mandava virar o conjunto da bobina de cabeça para baixo... Desisti! Se assim era o começo não queria saber o restante.

Mas a jovem não. Diferentemente do restante do universo feminino, ela não se intimidou diante de tal desafio tecnológico. Eu até sei que as mulheres são obstinadas, que não desistem perante o primeiro obstáculo, desde que este não seja um equipamento eletrônico. Todos já presenciamos as nossas ladies operando, ou tentando operar, um simples controle remoto.

Voltemos ao herdeiro do sinal de fumaça, sim, ao fax. Mexe daqui, mexe dali, vira de ponta cabeça (a bobina, depois o fax e quase que a própria jovem), enrola pra lá, enrola pra cá; agora desenrola tudo e eis que o aparelho ganha vida. Começa a funcionar, só faltou uma palmadinha, como se faz com os recém-nascidos.

Faltava ainda a prova final. Seria o aparelho capaz de enviar e receber uma mensagem, ou melhor, um texto impresso em papel? Isto já não era mais um simples questionamento, era um verdadeiro dilema. Naquele momento representava a pedra filosofal da comunicação por via eletrônica.

Em um devaneio, imaginei como teria sido a sensação do inventor do fax ao realizar o primeiro teste. Se não funcionar? Retornando ao nosso amigo fax, só tinha um jeito de saber. Um texto deveria ser enviado. Imediatamente uma folha impressa foi providenciada. Uma euforia tomou conta do ambiente. Sem nos importarmos com o seu teor, aquele texto adquiriu importância ímpar, tal qual a carta de Pero Vaz de Caminha que deveria ser entregue ao Rei, aquele texto deveria ser transmitido e acima de tudo, recebido por outro “fax-sauro”. Pronto, texto enviado.

Passados alguns instantes, eis que surge a jovem exibindo uma pálida folha de papel com a reprodução do texto anteriormente enviado. Majestosamente ergueu o texto com ambas as mãos, e assim como faz o ganhador da maratona olímpica do alto do pódio, exibiu o troféu representando sua vitória. Maravilha.

Pensando bem até que faz sentido todo este sentimento de vitória, pois preservadas as devidas proporções, o que eu havia presenciado tinha sido uma autêntica batalha épica, pelo menos as armas usadas pertenciam a um tempo muito, mas muito longínquo.