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Blog literário criado em 29/08/2008, na cidade de Blumenau-SC.


31 de ago de 2008

Atrás do poste

O amor é um sentimento tão belo, que chega a ser irritante começar um texto com esta afirmação. Grandes poetas já cantaram o amor com muito mais maestria, já cantaram e já choraram o amor. Diferente da felicidade, que nos faz chorar e rir de alegria, com o amor vamos do céu ao inferno na velocidade da luz. O amor é gostoso, provoca delírios, nos deixa entorpecido. Porém, quando o amor não é correspondido, gera sofrimento tão terrível(?).

Muitas pessoas sofrem de amor, simplesmente, por acharem que não são correspondidos. O que lhes sobra em amor, falta em coragem. Vivem uma vida inteira de sofrimentos, culpando o amor, quando na verdade deveriam culpar seus temores, sua covardia. Muitos destes sofredores, de tanto sofrer, encontram no sofrimento do amor não correspondido e covardemente guardado, um alento, um sopro de vida. Poder ver a pessoa amada, mesmo que seja na companhia de outra, já é o suficiente. Procuram desculpas, inventam situações, se tornam amigos do “outro” ou da “outra”, para num sentimento de pura morbidez, ter compartilhado consigo, os gostos e prazeres sentidos pela pessoa amada. Fazem isto com tal maestria escondendo tão bem seus sentimentos, que no transcorrer de sua existência, não mostram a mínima cicatriz.
E, quando esta cicatriz esta a mostra, o tecido se regenerou tão bem, que se tornou imperceptível.

Neste jogo do amor, que não perdoa, os que não conseguem vencer, buscam as mais mirabolantes formas de tentar ludibriar, isto mesmo, tentam enganar o amor. Criam situações, armam jogadas, tramam movimentos, fazem o que podem para enganar, na tentativa de se verem envoltos em mágicos momentos, numa verdade solitária. Nestas situações a imaginação aflora com toda a sua grandiosidade alimentada por uma fertilidade estarrecedora. Por mais absurdas que possam ser qualificadas, por nós, simples espectadores, para eles, estes loucos do amor, são apoteóticos momentos.

A dor do sofrimento é vaporizada por raros momentos de prazer. Na busca desta felicidade insana, onde a covardia fala mais alto que a felicidade, tudo pode, menos a revelação. Tudo é aceitável, menos a franqueza. Tudo é desejado, mas nada se arrisca. Tudo se vive, menos a felicidade, pois esta só é real no delírio. E o delírio será que tem fim? Se não tem, se a loucura é total, então a felicidade é total, não exigindo nada mais para se completar. Assim se fecha o ciclo da loucura, que é alimentado pelo amor, pela covardia, pelo temor, pela negação, pela mentira, mas que em uma análise mais apurada nada mais é do que a felicidade. É por isto que os loucos só sofrem quando tem noção da loucura, mas em seus delírios são felizes. É por isto que eu me escondo atrás do poste, meu cantinho de felicidade, onde minha amada, o amor de minha vida, sempre esta a minha espera.

Paulo Roberto Bornhofen
Escritor e Poeta
2005

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