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Blog literário criado em 29/08/2008, na cidade de Blumenau-SC.


4 de set de 2008

Uma sexóloga no Ministério do Turismo

Via de regra a formação acadêmica serve como base para a vida profissional das pessoas. Via de regra, pois nem sempre é assim. Na vida política é diferente. Já tivemos um médico que foi Ministro da Economia e agora temos uma Sexóloga que é Ministra do Turismo. E eis que nossa “ministra-sexóloga” fez das suas. Em data politicamente importante, quando o Presidente da República fazia o anúncio de mais um plano, dessa vez para o turismo, ao ser questionada sobre o terrível problema que vem assolando nossos aeroportos, e atingindo a todos nós que precisamos usar do transporte aéreo, a “sexóloga-ministra” saiu com uma espetacular resposta: “relaxa e goza, pois quando chegar no destino esquece de tudo!” Tudo bem, temos que admitir que sua ousadia teve o mérito de oficializar aquilo que todos já sabíamos, que estamos sendo sistematicamente estuprados por quem deveria nos representar.

Diante de toda essa beleza de conselho eu fico me perguntando, por que não nomear logo uma prostituta para o cargo? Veja só, a sexóloga é a pessoa oriunda do meio acadêmico, ligado ao conhecimento científico, as pesquisas, aos teóricos da causa. Já a prostituta não, essa fez, e faz, seu aprendizado na vivência, está mais ligada com as práticas, com o rala e rola do dia-a-dia.

Por outro lado, o Presidente da República ao contratar uma prostituta, poderia ter seu tratamento ampliado. Não se restringiria mais apenas ao “Vossa Excelência”, mas poderíamos chamá-lo de “o senhor-rufião”, “gigolô-líder”, “proxeneta-mor”, ou para os mais carinhosos de “aquele-adorável-cafetão-de-barbas-grisalhas”.

Não podemos, ainda, nos esquecer de que com os milionários investimentos que estão sendo feitos em nossos aeroportos, os mesmos passariam a ser oficialmente reconhecidos como os bordéis mais luxuosos do mundo. Local onde as mais descaradas orgias acontecem e à luz do dia e diante (e por detrás) de todos, aliás queiram ou não, com a participação de todos.

Como os atrasos não são poucos e nem se restringem a poucos minutos, poderíamos classificá-los de acordo com as práticas sexuais, tanto as ortodoxas, como as mais heterodoxas possíveis. Assim, aqueles cujo atraso fosse superior a 8 horas, seriam os “sexos tântricos”, aquela prática oriental que permite aos seus seguidores se entregarem aos prazeres carnais por longos períodos. Os vôos cancelados seriam os “atos interrompidos”. Os atrasos menores, coisa de quinze minutos, ou um pouco mais, seriam os “ficantes” “ou peguetes” e assim por diante. Os que saíssem no horário, por sua vez ficariam sem graça, mas não faltariam gaiatos para batizá-los de “papai e mamãe”. Bem, assim tal qual o sexo, teríamos para todos os gostos.

As explicações que os passageiros dariam para quem os estivesse esperando nos destinos seriam igualmente interessantes: “é, tive um “ato interrompido” ontem e só consegui continuar hoje. Mas para meu desespero tive que enfrentar um “sexo tântrico” de 12 horas. Olha bem pra mim, estou um farrapo, minhas forças estão esgotadas, tão cedo não quero repetir essa experiência. De agora em diante, e por um bom tempo, só “papai e mamãe”, nem quero pensar na volta, não posso passar por tudo isso novamente. Não tenho mais idade para isso!”

Para os nossos políticos ficaria mais fácil explicar suas escapadas sexuais: “sabe como é, quando eu dei por mim estava enfiado em um daqueles “vôos peguetes” e aí aconteceu. A minha mulher é claro que entende, ela sabe que não foi premeditado. Simplesmente aconteceu, quando a gente se deu conta já tinha acontecido. Foi tudo meio sem compromisso, mas como fomos pegos de surpresa, estávamos sem proteção e aí não teve outra saída. Mas, resolvi tudo, arrumei um lobista que vai cobrir as minhas despesas”.

Quando a nossa “ministra-prostituta” fosse questionada sobre o caos nos aeroportos, ela com um autêntico sorriso, responderia: olha pessoal o que aconteceu foi que simplesmente fud...!

Com toda a certeza seria uma resposta mais convincente, pois seria uma resposta profissional.

Paulo Roberto Bornhofen
Escritor e Poeta

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