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Blog literário criado em 29/08/2008, na cidade de Blumenau-SC.


30 de jun de 2009

Justiça

29 de jun de 2009

MULHER

Muitos, por ela choraram
Outros, por ela imploraram
Poucos, por ela negaram
Todos, por ela imaginaram
Guerreiros, por ela lutaram
Pacifistas, por ela reivindicaram
Filósofos, por ela suspiraram
Ateus, por ela negaram
Crentes, por ela rezaram
Cientistas, por ela estudaram
Políticos, por ela tramaram
Homens, por ela apenas foram HOMENS

Paulo Roberto Bornhofen
13/02/2009

Desencontros de felicidade

Pedra rolando solitária
Cama cheia de metade
Sofrimento!

Triste aroma de paixão
Relógio sem corda
Torneira bradando soluços
Terror!

Porta que grita
Pés se arrastando
Fêmea exaurida
Amor esgotado
Felicidade!

Paulo Roberto Bornhofen
20/06/2009

Confissão

Sofro para entender!
sem saber (poesia)?
Sossego
A resposta não está
no poeta
Palavra
“No inicio havia a palavra
e a palavra foi aceita”.
Eureca, (se) fez o poeta.

Paulo Roberto Bornhofen
20/06/2009

Acordes poéticos



No mundo das letras a poesia é um espaço em que não transito muito bem. Posso dizer que estou aprendendo a dar os primeiros passos. Neste exercício, de aprendizado, estou seguindo a regra fundamental que diz que para escrever é preciso ler, ler bastante. Por isso, foi com alegria que recebi o livro Acordes Poéticos: cartas, poemas e canções, da minha amiga Fabiana Lange. O livro carrega uma característica interessante, a produção da Fabiana é entremeada pelos comentários de seu companheiro, o também poeta, Ricardo Brandes.

A obra da Fabiana tem uma característica bem interessante, é a forma como os textos poéticos estão organizados, é uma sequência que não chega a ser totalmente linear, mas permite ao leitor acompanhar um crescente de emoções, como em uma sinfonia, fazendo jus ao nome. No livro é possível captar a alma sensível de uma jovem, mas não inexperiente poeta que se permite ser explicita na pureza das emoções.

Alguns temas são recorrentes em sua construção poética, entre eles a paz, a amizade, a angustia, a solidão, que na seqüência é confrontada com a vida familiar, explicita no amor a afilhada. Alias, o amor, a paixão, o desejo, o amor carnal, a entrega são retratados cada um dentro de sua peculiaridade. Esta temática, sim, pode-se dizer que segue um crescente linear que começa com a paixão, evoluindo para o desejo, que logo se mostra vencedor quando o poema “Indefesa” se apresenta como uma oração de confissão da entrega ao amado, o desejado. Momento em que a mulher aflora em toda a sua complexidade.

Ler Acordes Poéticos é acompanhar o amadurecimento da menina-moça que se transforma em mulher. Mulher forte que se apresenta em várias modalidades, a mulher feminina, a mulher (que vai ser) mãe, a mulher, simplesmente em oposição ao masculino, que não pode ser mãe, mulher poeta.

Como em uma produção musical, Acordes Poéticos, tem sua apoteose, que para mim está representada em dois poemas, não por acaso os dois últimos, Vida de Casal e Você, que para saber só lendo.

Paulo Roberto Bornhofen

26 de jun de 2009

Morreu



Ao chegar em casa, por volta das 23:00hs, fui dar aquela zapeada costumeira pelos canais de TV. A notícia era uma só: a morte do Michael Jackson, até nos canais de esporte. Só ficaram de fora os famosos programas de venda, os demais só apresentavam isso.

Como sempre ocorre quando morre alguma celebridade, desta vez não foi diferente. Eram só comentários enaltecendo a figura, a pessoa maravilhosa e outras qualidades do finado. Não quero entrar no mérito do que os comentaristas falavam, até porque não conheço o Michael Jackson. Não este que morreu ontem.

O Michael Jackson que eu conheci morreu faz muito tempo. Era um jovem, negro, cantor, dançarino, coreografo e muitas outras coisas. Cantava, vendia discos como ninguém. Esse morreu faz tempos. Deu lugar a outro Michael Jackson. O de pele esbranquiçada, envolto em escândalos, que vivia recluso, que não cantava e não dançava.

O primeiro foi morrendo aos poucos, ao longo dos anos. O outro morreu de forma súbita, envolto em mistérios. Acho que é em razão disso a diferença que o impacto de ambas as mortes causou.

Em meio à multidão de fãs que eram entrevistados e junto aos outros milhões que se manifestaram pela internet, uma corrente começou a tomar corpo. Entre as teorias surgiu uma que dava conta de que Michael Jackson na verdade não havia morrido.

Faz sentido. Eu creio que ele realmente se retirou para uma vida mais tranqüila, equilibrada. Foi viver ao lado do ex-sogro, o Rei do Rock, Elvis Presley. Agora eu concordo. Sim, por que Elvis não morreu. Eu tive a prova de que o Rei está vivo, durante viagem ao Tahiti.

Como prometi ao próprio Rei nunca revelar como foi nosso encontro, em 2006, no Tahiti, não posso falar nada. Promessas ao Rei são para serem cumpridas. Lamento mas mais do que isso não posso dizer.

Já posso até ver, o dois, sogro e genro, curtindo o paraíso (Tahiti).


Paulo Roberto Bornhofen
26/06/2009

...and the winner is Mr. Santana (o Joel)


Nos últimos dias o senhor Joel Santa tem sido alvo das mais variadas piadas. Tudo por causa do seu modo peculiar de falar inglês. Logo nós, brasileiros, que nem conhecemos direito o nosso idioma, que, aliás, não é nosso, é de Portugal. Estamos metidos até o pescoço com a tal da reforma ortográfica, mas não perdemos a oportunidade de tirar uma lasquinha do Joel Santana.

Tudo isso por quê? Simples, é a mais pura dor de cotovelo! O cara é um vencedor. E isso incomoda. Tem gente dizendo que ele é um analfabeto. Tudo bem elegemos um para ser o nosso presidente (Mr. President). Em sendo ele um analfabeto isso é por acaso algum impedimento para ser um vencedor? Claro que não.

Talvez estejamos estranhando um pouco a fórmula “Joel Santa”. Geralmente costumamos ter outros tipos de ídolos. Que tal um cara famoso como o cantor Belo, aquele do envolvimento com os traficantes? Ou então a cantora Amy Winehouse, aquela que vive drogada. Temos, ainda, o Kurt Kobain, que não agüentou a fama e se matou. Quem sabe a Paris Hilton, que faz vídeo pornô caseiro pra todo mundo ver na internet. Pensando bem, melhor não. Acho que não seria legal um pornô com o Joel.

Mr. Joel fica na dele. Apresenta as suas credenciais, diz que já foi treinador no Japão, na Arábia Saudita, nos Emirados Árabes e agora é a vez da África do Sul, a Bafana Bafana. “É assim que eu coloco o arroz e o feijão lá em casa” disse, candidamente. Que arroz e que feijão seu Joel! Mesa globalizada essa da sua família. Morram de inveja aqueles que se contentam com o arroz e feijão tupiniquim.

Quando perguntaram pra ele do currículo ele disse que não tinha, que tinha testamento. Parabéns Mr. Joel. Continue com o seu Inglês, não se intimide com os invejosos. Diga que tem um belo “legacy” para deixar. Já pensou a turma toda rindo do senhor e dizendo: “po... meu, o cara ganha essa grana toda e só vai deixar um carro de herança! Qual é meu, o que ele fez com o todo o dinheiro? “Caraca velho”, pelo menos podia ser um aviãozinho da Embraer, completa, rindo, outro gaiato.”

Let´s play, Mr. Joel, let´s play. Afinal de contas, who lets the dogs out?
Paulo Roberto Bornhofen
25/06/2009

24 de jun de 2009

O fim da morte súbita e alguns delírios

Quem quer morrer? Quem quer morrer? Quem quer morrer? Repito, quem quer morrer? Foi este o cenário que eu imaginei: você vai andando pela rua e se depara, a cada passo, com um destes entregadores de panfletos. Enquanto ele grita a famosa pergunta, literalmente, enfia na sua cara um panfleto com a inscrição: “fim da morte súbita”.

Em um primeiro momento você leva um choque. Depois, ao ler o panfleto você entende que se trata de mais uma descoberta da ciência. Os cientistas desvendaram o mecanismo que dispara a famosa morte súbita. Meu Deus, você grita. Acabou, não posso mais morrer em paz, lamenta.

Levaram a esperança daquele infarto fulminante, de dormir e não acordar. Agora só morte dolorosa. Os cientistas aprontam cada uma. Fiquei tão traumatizado quando ouvi a manchete, no telejornal, que perdi toda a vontade de assistir ao resto. Desliguei a TV. Até agora estou delirando. Não me interessa o resto da matéria.

Voltando ao delírio acima. Para espantar os panfleteiros, ou panfletadores (qual é o certo, será que existe “um certo” quando se trata de panfletagem?), a idéia de um cidadão blumenauense – andar com um gravador repetindo a mesma frase, algo do tipo: eu não quero, obrigado – ganha corpo, e você grava a sua mensagem.

Daquele dia em diante você passa a andar com um gravador repetindo: Não, obrigado. Eu só quero morrer em paz! O seu gravador faz tanto sucesso que você começa a receber encomendas. Cada dia chega mais encomendas. Como você está ganhando muito dinheiro, logo aparecem outros vendendo os mesmos gravadores, mas com mensagens “customizadas” (essa doeu) e para não perder mercado você contrata uns panfleteiros e começa a distribuir “flyers” (essa dou mais ainda) pelas ruas. Pronto, você entrou no mundo da panfletagem e

Colega leitor
Este foi o texto que encontrei junto ao corpo de um escritor muito amigo. Ao visitá-lo deparei-me com a sena macabra. Prostrado em uma cadeira, bem em frente à mesa, estava o corpo. O computador ligado e na tela aparecia o texto acima, inacabado. Por razões obvias não vou revelar o seu nome. Dias mais tarde o legista comunicou a causa de sua morte. Ele havia morrido de morte súbita. Um infarto fulminante havia lhe levado a vida. Trágica ironia.

Coitado, se tivesse pesquisado mais sobre a descoberta dos cientistas teria visto que toda a equipe foi acometida da tal gripe A, a suína popularmente conhecida, ou Influenza Porcina, para os mais eruditos. Estão todos recolhidos em quarentena. Essa é a vida, cada dia uma surpresa. Até que um dia...

Por isso, viva a vida!



Paulo Roberto Bornhofen
24/06/2009